Projeto da UFPA propõe melhorias na mobilidade urbana com o uso da tecnologia

Discutir os problemas de mobilidade urbana em Belém e propor soluções por meio da tecnologia. Esse foi o mote da segunda edição do “Fórum Belém 2.0”, que aconteceu no último dia 20, no Teatro Universitário Cláudio Barradas. O evento, um projeto do curso de Tecnologia em Produção Multimídia, ligado à Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará (FAV/UFPA), faz parte de um ciclo de atividades iniciadas em maio e que pretendem construir estratégias para melhorar a vida do cidadão belenense.

Para abordar a questão sob diversos enfoques, foram convidados quatro debatedores: o professor doutor José Júlio Lima, da Faculdade de Arquitetura da UFPA, problematizando o planejamento urbano; o professor doutor Cleomar Rocha, do MediaLab da Universidade Federal do Goiás, falando sobre o uso de tecnologias para a melhoria da mobilidade urbana; Tiago Paolelli, idealizador do projeto @belemtransito, discutindo a realidade diária de deslocamentos na região metropolitana conforme sua vivência à frente das redes sociais que administra; e o professor Adailton Lima, coordenador do projeto Rota Urbana, destacando o modal ônibus. Além dos convidados, também estiveram presentes outras pessoas envolvidas com a questão, como cicloativistas.

Uma das coordenadoras do “Fórum Belém 2.0”, a professora da FAV/UFPA Sâmia Batista, durante a abertura do evento, explicou a proposta da ação. “Esse é um projeto de extensão de design, que usa a tecnologia para prestar serviços à sociedade. Nossa primeira edição tratou sobre Patrimônio e Cultura; agora, falamos sobre Mobilidade Urbana e até o fim do ano abordaremos a temática da Violência Urbana. Nosso intuito é debater os problemas da cidade e levar as propostas discutidas para dentro do curso, para geras soluções”, explicou. Também coordenador do projeto, o professor Acilon Cavalcante lembrou a relevância da questão. “De acordo com pesquisas, mobilidade urbana é o segundo maior problema apontado pela população da capital, atrás apenas da segurança”, afirmou.

A realidade de Belém

Para estimular o debate, foram exibidos três webcasts, apresentando várias realidades relacionadas à mobilidade urbana e possíveis soluções para os problemas, algumas adotadas com sucesso em outros locais, dentro e fora do país. Ao fim de cada webcast, uma pergunta para os debatedores: “O que falta para Belém mudar também?”, “Como pensar nos serviços colaborativos para auxiliar as pessoas em meio às transformações das cidades?” e “Como fortalecer a cultura do compartilhamento em Belém?”.

Conforme apontado pelos próprios vídeos, uma das estratégias para melhorar os deslocamentos está relacionada à cultura colaborativa. Esse foi o princípio norteador do projeto Rota Urbana, coordenado por um dos debatedores, professor Adailton Lima, e que disponibiliza os itinerários das linhas de ônibus da capital, mapeados e compartilhados online pelos próprios usuários. “Antes da nossa plataforma, iniciada há cerca de dois anos, não havia em Belém esse registro sistemático. Hoje em dia já temos cerca de 80% dos trajetos registrados, tudo construído a partir das contribuições das pessoas que usam o serviço”, contou.

O professor Cleomar Rocha lembrou que, para haver melhorias na mobilidade, é necessária a realização de pesquisas na área, como de origem e destino ou de traçado urbanístico. “Só a partir desses dados, é possível apontar soluções”. Já o professor José Júlio Lima ressaltou que é preciso repensar o desenho das cidades. “Hoje, vivemos em uma ‘não-cidade’, que não é pensada para se viver, mas construída numa ordem econômica. Isso sem dúvida impacta diretamente na questão da mobilidade”, enfatizou.

Alguns dos debatedores, assim como participantes da plateia, opinaram que o interesse dos empresários de ônibus é um grande empecilho para algumas melhorias. “Falta um planejamento adequado para as linhas, mas é muito difícil mexer nisso, porque o que está em jogo são os interesses econômicos, e não a racionalidade para o uso do transporte coletivo”, denunciou. Para ele, o mesmo motivo estaria por trás da dificuldade de implantação do modal fluvial em uma cidade com tanto potencial para o transporte hidroviário.

Mobilização social e cultura colaborativa

De acordo com o que foi sistematizado pelo próprio projeto, três reflexões principais surgiram a partir do evento. A primeira é a necessidade de haver uma plataforma de mobilização social para sensibilizar a opinião pública sobre seu poder nas decisões acerca da mobilidade urbana em Belém. A segunda diz respeito a abolir a ideia de que o carro é o grande vilão e a mocinha, a bicicleta, pois, a partir das discussões, ficou claro que um dos grandes problemas é a forma predatória como os empresários de ônibus tratam a cidade. E, por fim, concluiu-se que aplicativos baseados na cultura do compartilhamento, como o Rota Urbana, têm grande potencial de facilitar os deslocamentos em Belém.

Mas essas são apenas as primeiras ideias e o projeto continua aberto a sugestões, que podem ser enviadas para forumbelem2.0@gmail.com. “Precisamos passar a nos ver como parte da solução. Essa é a essência do Fórum Belém 2.0: a possibilidade de cada cidadão contribuir para a melhora da nossa cidade”, pontuou o professor Acilon Cavalcante, convidando à ação.

 

Texto e fotos: Ádria Azevedo

Frota de motos cresce em Belém e, com ela, o número de acidentes

Por Ádria Azevedo

A frota de veículos nas grandes cidades brasileiras cresce de forma acelerada. Seja pela expansão do crédito ou pela precariedade do sistema público de transportes, cada vez mais pessoas decidem adquirir um veículo próprio, um crescimento que tem se dado de maneira particularmente expressiva na compra de motocicletas.

No Pará, esse tipo de veículo já somava 52,2% da frota estadual ao fim de 2014. Na Região Metropolitana de Belém (RMB), chegava a 30,2% do total, realidade que tende a mudar rapidamente nos próximos anos, pois estudo realizado pelo Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA) prevê que motos devem superar o número de carros em 2018, chegando a 68,46% da frota em 2021.

Fatores como a facilidade de deslocamento e o baixo custo de aquisição e manutenção levam muitos condutores a optar pela motocicleta. Porém, o veículo não tem só vantagens e seu grande lado negativo é o risco de acidentes. “No Brasil, hoje, cerca de 70% dos acidentes de trânsito envolvem motos, e Belém segue esse padrão”, afirma Manoel Pinheiro, do setor de Educação no Trânsito da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob).

Motociclistas e passageiros são os que mais morrem no trânsito e também a maior porcentagem dos que se tornam inválidos após os acidentes. Isso significa enormes custos pessoais e sociais. Fora o impacto para as próprias vítimas e suas famílias, os gastos com saúde pública e previdência são elevados. Por isso, esse tipo de acidente chega a ser considerado uma questão de saúde pública.

Na RMB, por exemplo, de cada dez vítimas de acidentes de trânsito que deram entrada no Hospital Metropolitano, referência em traumatologia, oito eram motociclistas ou passageiros de motos, de acordo com pesquisa realizada pelo Detran-PA em 2012.

Para Manoel Pinheiro, parte do problema está no despreparo dos condutores de motos. Muitos dirigem sem habilitação e sem perícia e conhecimentos necessários. Há também o fator imprudência, desde o não uso de capacete até atitudes como avançar o sinal. “Por ter uma maior mobilidade, o motociclista acha que não precisa seguir as mesmas regras que os demais veículos em uma via”, opina o agente da Semob.

As soluções para isso seriam a reestruturação do sistema de trânsito, a fiscalização e a educação, que ainda acontecem de maneira incipiente na RMB. Em bairros periféricos, por exemplo, usar capacete é a exceção. Campanhas educativas não ocorrem de maneira sistemática e estão mais voltadas para períodos específicos do ano, como as férias. E a educação de base nas escolas, que sensibilizaria para o trânsito desde a infância, parece ser ainda uma iniciativa insuficiente para um problema que hoje é visto pelas autoridades como uma verdadeira epidemia no país.

Aplicativos favorecem deslocamento em Belém

Na realidade muita vezes caótica da mobilidade urbana em Belém, aplicativos para smartphones têm sido uma mão na roda (sem trocadilho) para ajudar nos deslocamentos na região metropolitana. Seja para quem anda de carro, ônibus ou mesmo táxi, os apps podem facilitar muito a vida de quem precisa se locomover de um ponto a outro. Confira:

WAZE

20130109153649!Waze_logo

Este é o aplicativo do momento. Tem o objetivo de contribuir para um “bem comum” nas ruas. Ao conectar-se com outros motoristas, ajuda as pessoas a criarem comunidades locais que trabalham juntas para melhorar o percurso diário de todos, evitando, assim, a frustração de ficar parado no trânsito. Ele fornece informações das vias com alertas sobre acidentes, fiscalização da polícia e ainda ajuda a encurtar o caminho mostrando novas rotas que talvez você nem conheça.

Como funciona: Depois de digitar um endereço de destino, os usuários apenas dirigem com o aplicativo ligado e passam a contribuir passivamente com informações por onde trafegam. Além dos grupos locais de motoristas que usam o aplicativo, o Waze também é o lar de uma comunidade ativa de editores de mapa que garante, sempre que possível, manter os trajetos atualizados. É bastante utilizado em Belém.

Custo: Gratuito. É necessário ter conexão com a internet e GPS no aparelho celular. Disponível para IOS, Android e versão online no site próprio.

ROTA URBANA

rotas_logo.png.xhtmlDesenvolvido por alunos dos cursos de Ciência da Computação e de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Pará (UFPA), o Rota Urbana surgiu como um site mostrando as rotas de mais de 80 linhas de ônibus de Belém e região metropolitana. Por ter uma proposta colaborativa, hoje já são 152 rotas cadastradas, e o que era apenas um site virou também aplicativo para smartphone, auxiliando os que andam de transporte coletivo a saber a linha certa para chegar ao destino pretendido.

Como funciona: O app tanto mostra uma lista com todas as linhas cadastradas quanto apresenta as opções disponíveis para chegar de um ponto a outro da cidade. Para isso, basta o usuário escolher no mapa um ponto de partida e um ponto de chegada que o aplicativo mostrará uma relação de rotas possíveis para aquele percurso. Há também mais de 350 locais de paradas de ônibus registrados.

Custo: Gratuito. É necessário ter conexão com a internet e GPS no aparelho celular. Disponível apenas para Android e no site rotaurbana.net.br.

99 TÁXIS

unnamedConsiderado o maior aplicativo de solicitação de táxi pelo celular do Brasil, o 99 Táxis foi fundado em 2012 por três geeks conhecidos da internet brasileira: Paulo Veras (CEO), Ariel Lambrecht (diretor de produto) e Renato Freitas (diretor de tecnologia). Com ele, o usuário pode escolher o melhor serviço dentre as diversas frotas disponíveis. Segundo a empresa responsável, todos os taxistas cadastrados são cuidadosamente selecionados mediante uma série de documentos entregues, e os passageiros são validados através do número de telefone, o que torna nosso serviço mais seguro para todos.

Como funciona: O passageiro faz o pedido do táxi e os cinco que estiverem mais próximos recebem a chamada. Dentre os taxistas disponíveis, ganha a corrida aquele que estiver mais próximo do local do pedido. O aplicativo garante que o taxista chegará o mais rápido possível, em torno de 5 minutos.

Custo: Gratuito. É necessário conexão com a internet e GPS ativado no aparelho celular. Disponível para IOS, Android, e Windows Phone.

Se você conhece outros aplicativos que ajudam a melhorar a mobilidade urbana e que funcionem em Belém e região metropolitana, buzina pra gente!

Ciclistas pedem mais segurança em Belém

No último dia 11, um grupo de ciclistas reuniu-se com representantes da segurança pública para cobrar mais proteção nas ruas da capital. O resultado do encontro foi a definição de um esforço combinado entre poder público e sociedade civil para combater o roubo de bicicletas.
Saiba mais na matéria:

Reportagem: Ádria Azevedo

Texto: Ádria Azevedo e Lidyane Albim

Imagens: Nathan Nguangu e Kristopher Samuel

Edição: Nathan Nguangu e Lidyane Albim

 

“Falta de investimento no trânsito de uma metrópole é um problema”, diz engenheiro da Semob

fabricio

Em entrevista ao Locomoção, o engenheiro civil e especialista em Trânsito Fabrício Bombonato, que trabalha na Secretaria Executiva de Mobilidade Urbana da Prefeitura Municipal de Belém (Semob) e atua na área de manutenção e controle de semáforos da cidade, explicou a importância e o funcionamento da sinalização no trânsito da capital. Para o profissional, é fundamental que o poder público entenda que Belém, por ser uma metrópole,  necessita de investimentos em trânsito, assim como se tem feito em Recife e outras cidades do Nordeste, o que aumenta a segurança no deslocamento das pessoas no dia-a-dia.

Ouça a entrevista com Fabrício Bombonato:

Reportagem: Lívia Brito, Nathan Nguangu e William Costa
Foto e Áudio: William Costa

Locomoção agora tem WhatsApp

O blog ampliou as vias de comunicação e traz ao leitor uma novidade: o WhatsApp do Locomoção. Agora você pode dar aquela buzinada enviando fotos, vídeos, críticas e sugestões sobre o trânsito na cidade. Basta anotar o número que está no nosso busão e incluí-lo na sua lista de contatos.

Participe. Seja um agente do Locomoção. Faça registros enquanto se desloca de um lugar para outro e mande um “zapzap” pra gente. Sua informação vai nos ajudar a intensificar o fluxo de boas ideias para melhorar o ir e vir dos cidadãos na grande Belém.

Texto: Lidyane Albim
Ilustração: William Costa

Educação é fundamental para melhorar a mobilidade urbana

Por Ádria Azevedo

Para que a mobilidade urbana se desenvolva de maneira satisfatória para as pessoas, mais do que condições tecnológicas e infraestruturais, é necessária a educação de todos no trânsito. De pouco adiantam obras se a população não respeitar as normas e não usar corretamente a estrutura implantada. Iniciativas que melhorariam a segurança e o fluxo dos que se locomovem, consequentemente reduzindo o estresse, acabam por se tornar bem menos eficazes do que poderiam.

O que vemos em Belém é um hábito cultural de desrespeito no trânsito, aliado à pouca fiscalização e falta de políticas públicas para a sensibilização da população. Motoqueiros sem capacetes, veículos que furam o sinal e fecham cruzamentos, carros que não respeitam ciclistas e ciclistas que não respeitam pedestres, ônibus que “queimam” paradas, motoristas que buzinam excessivamente são situações cotidianas vivenciadas na capital, que refletem um ambiente de mobilidade urbana de certa forma caótico, opinião expressa por vários dos entrevistados pela nossa reportagem.

Dessa forma, a infraestrutura feita para produzir melhorias acaba produzindo dificuldades, como é o caso das canaletas do BRT (Bus Rapid Transit) da Almirante Barroso, onde muitos acidentes – inclusive fatais – têm acontecido, pela imprudência de pedestres, ciclistas, motociclistas, carros particulares e ônibus, que muitas vezes não respeitam sinalizações e limites de velocidade.

Algumas iniciativas da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém – Semob e do Departamento de Trânsito do Estado do Pará – Detran-PA apresentam esse viés educativo, como campanhas e, além dos agentes de trânsito tradicionais, agora os agentes ciclistas, que percorrem ciclovias e ciclofaixas fiscalizando e sobretudo orientando a população. Mas também são necessárias ações de base, como por exemplo em escolas.

De acordo com Valter Aragão, diretor operacional do Detran-PA, a educação é fundamental para a melhoria do trânsito. “Para nós, a educação está em primeiro lugar. Se eu consigo educar e orientar, eu consigo reduzir acidentes. A fiscalização já é um segundo momento, já é a repressão. É como uma relação de pai e filho: se eu crio um filho ensinando ‘Não faça isso’, depois eu tenho como cobrar. Agora se eu inverto esse papel e coloco a fiscalização na frente, vem o argumento: ‘Mas você não me educou em relação a isso'”, explica Aragão.

Nesse sentido, o Detran-PA desenvolve um trabalho de multiplicadores, por meio do qual professores recebem formação sobre a legislação de trânsito e repassam esses conhecimentos nas escolas. Já a Semob tem o projeto “Semob na escola”, criado em 2013 e que, além da capacitação de professores e funcionários acerca da temática, promove a reengenharia de sinalização no entorno de cada escola trabalhada. Atualmente, são atendidas cerca de 15 instituições escolares em Belém. Além disso, a Semob também realiza intervenções em localidades específicas, utilizando recursos como dramatizações para ensinar as regras de trânsito.

Contudo, essas ações parecem ainda insuficientes. As atividades educativas nas escolas são previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro, mas na prática não acontecem conforme preconizado pela lei, dependendo mais de iniciativas pontuais de estados e municípios. Somente ampliando e universalizando o acesso de crianças e adolescentes à educação para o trânsito é possível formar, desde cedo, pessoas conscientes para uma mobilidade urbana democrática e cidadã.